PAULO FEIRE

O MESTRE PAULO FREIRE

Paulo Freire

Entre os títulos que recebeu, estão os de Doutor Honoris Causa em Universidades de vários países, como Inglaterra, Bélgica e Estados Unidos.

Recebendo o título de Doutor Honoris Causa na Universidade Complutense de Madri, em dezembro de 1991. Em baixo, doutoramento na Bélgica.

Recebendo, na Câmara Municipal de São Paulo, o Título Cidadão Paulistano, em 1986.

Com Mário Covas, no recebimento do Prêmio Moinho Santista, em 1995.

Prêmio UNESCO de Educação para a Paz, 1986.

Recebeu prêmios, medalhas, condecorações e títulos em todos os continentes.

Durante boa parte dos anos dos governos militares no Brasil, os seus livros foram proibidos, As suas ideias foram consideradas perigosas e o seu próprio nome foi impedido de ser pronunciado em nossas escolas e universidades. No entanto, ao longo desse mesmo tempo sombrio, e depois dele, poucos brasileiros receberam tantas homenagens e tantos títulos aqui e fora do Brasil. Ao professor Paulo Freire foi concedido o título de Doutor Honoris Causa por quase quarenta universidades do Brasil e de outros países.

De Sul a Norte de nosso país, mais de três centenas de escolas públicas e particulares têm o seu nome.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

PALAVRAÇÃO



Paulo Freire

Vós sois meus amigos, se praticais o que vos ordeno (Jo 15,14) costumo dizer que, independentemente da posição cristã em que sempre procurei estar, Cristo seria, como é, um exemplo do maior pedagogo.
Na minha infância longínqua, das aulas de catecismo, o que ficava realmente em mim era a bondade grande, a valentia de amar, sem limites, que Cristo nos testemunhava.

Menino ainda, jovem depois, homem afinal, em quem, contudo, o menino continuou vivo, me fascinava e me fascina, nos Evangelhos, a indivisibilidade entre seu conteúdo e o método com que Cristo os comunicava.
O ensino de Cristo não era, nem poderia ser, o de quem, como muitos de nós, julgando-se possuidor da verdade, buscava impô-la, ou simplesmente transferi-la. Verdade Ele Mesmo, Verbo que se fez carne, História Viva, sua pedagogia era a do testemunho de uma Presença que contradizia, que denunciava e que anunciava.

Verbo encarnado, Verdade Ele Mesmo, a palavra que dele emanava não poderia ser uma Palavra que, dita, dela se dissesse que foi, mas uma Palavra que sempre estaria sendo. Esta Palavra jamais poderia ser compreendida se não fosse aprendida e não seria apreendida se não fosse igualmente por nós “encarnada”. Daí o convite que Cristo nos fez e por que nos fez, continua a nos conhecer a verdade se sua Mensagem na prática de seus mais ínfimos por menores.

Sua Palavra não é som que voa: é Palavração.

Não posso conhecer os Evangelhos se os tomo como palavras que puramente “aterrissam” em meu ser, considerando-me um espaço vazio, pretendo enchê-lo com elas. Esta seria a melhor maneira de burocratizar a Palavra, de esvaziá-la, de negá-la, de roubar-lhe o dinamismo do eterno estar sendo para transformá-la na expressão de um rito formal.  Pelo contrário, conheço os Evangelhos, bem ou mal, na medida em que bem ou mal, os vivos. Experimento-os e neles me experimento na prática social de que participo historicamente, com os seres humanos.

Daí a aventura arriscada que é aprendê-los e ensiná-los , enquanto um ato indicotomizável; daí o medo quase sempre incontido que nos assalta ao escutar o chamamento do Cristo a prática de sua mensagem; daí as racionalizações intelectualistas em que caímos e com que pacificamos a Transparência; daí que falamos tanto em BOA NOVA, sem a denuncia do mau contexto que obstaculiza a efetivação da BOA NOVA; daí que separamos “Salvação” de “Libertação”; daí, finalmente, que nos “arquivamos” num tradicionalismo ou num modernismo maneira de sermos mais efetivamente tradicionais-alienadores-recusando o estar sendo para poder ser, o que caracteriza a verdadeira posição profética.

Conhecer os Evangelhos enquanto busco praticá-los, nos limites que a minha própria finitude me impõe é, assim, a melhor forma que tenho para ensiná-los. Neste sentido é que somente a prática de quem se sabe humildemente um eterno aprendiz, um educando permanente da palavra, lhe confere autoridade, no ato de aprendê-la e de ensiná-la.

Autoridade, por isso mesmo, que jamais se alonga em autoritarismo. Este, pelo contrário, é sempre a expressão da redução da Palavra a mero som – não mais PALAVRAÇÃO – e a negação, portanto, do testemunho pedagógico do Cristo.

(Notas de Paulo Freire a quatro jovens seminaristas alemães. texto inédito, escrito em Genebra em 1977).        "Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo"


Até a próxima!

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