I)
SABEDORIA NO ANTIGO ORIENTE – O
LIVRO DA SABEDORIA
O que é a sabedoria? Sabedoria é
salvação, é palavra de Deus (Bíblia e vida), é o escutar e acolher. É a luta
pela sobrevivência, para uma melhor administração da vida, que também permitia
algumas pessoas a ter certa segurança. A sabedoria antiga vinha das cortes com
os escribas, mas vinha também com o povo popular, do camponês.
E o Livro Sabedoria? Em Alexandria,
o mais importante centro da diáspora, os judeus estavam em íntimo e constante
contato com helenismo. Alguns dos mais instruídos entre eles procuravam
apresentar a sua religião aos pagãos. Esforçavam-se, naturalmente, por
mostra-la sob a mais favorável luz possível, e procuravam identificar pontos de
contatos entre a cultura grega e as tradições de Israel. Foi nesse ambiente que
apareceu o Livro da Sabedoria.
Este livro foi intitulado
sabedoria de Salomão. A atribuição do livro a Salomão é uma ficção literária
comum nos escritos sapienciais. Sabedoria foi escrito em grego e é, portanto um
livro deuteronômico. Tem sua importância na reflexão sapiencial, que vai
refletir sobre a história de Israel, das comunidades cristãs. Em sua origem nas
tribos e clãs, foi escrito um século antes do nascimento de Jesus Cristo. Sabedoria,
poesia, meditações da palavra e da revelação de Deus.
II)
O PLANO
O livro pode ser dividido em três
grandes seções, que são o reflexo de situações e preocupações diferentes:
1. O destino humano segundo Deus (cap.
1 – 5). Esta seção opõe o destino dos justos ao dos ímpios que os perseguem. Sua
finalidade é fortalecer a fé dos judeus; divide-se em sub-itens:
·
A
vida segundo os ímpios – (1,16 – 2,20)
·
Erro
dos ímpios – (2,21 – 24)
·
A
sorte dos justos e a dos ímpios – (3,1 – 5,23)
2. Elogio à sabedoria (cap. 6,1 –
9,19). Tal elogio é posto na boca de Salomão. Contudo o rei não é citado.
Salomão dirige-se aos demais reis para convida-los a se abrirem as doutrinas da
sabedoria israelita. Dividem-se nos sub-itens:
·
Exortação
aos reis – (6,1 – 21)
·
Salomão
mestre da sabedoria – (6,22 – 8,1)
·
A
sabedoria concedida a Salomão – (8,2 – 9,19)
3. Meditação sobre o Êxodo (cap.
10,1 – 19,22). A ultima seção do livro é mais longa e, sobretudo, mais complexa
do que as precedentes. Consiste numa serie de comparações sobre a sorte dos
israelitas e dos egípcios a partir da narrativa das pragas do êxodo. Divide-se
em sub-itens:
·
O
papel da sabedoria desde Adão até o Êxodo – (10,1 – 15)
·
A
ação maravilhosa da sabedoria no Êxodo – (16,1 – 19,22)
III)
FORMA LITERÁRIA
Sabedoria
ao contrário de Provérbios e Eclesiástico, é uma obra cuidadosamente planejada;
de um modo geral, contudo, segue de perto o estilo destes escritos. Entretanto
do capitulo 10 e mais precisamente do capítulo 16 – em diante, onde o autor destaca
o papel da sabedoria na história de Israel, ele introduz outra forma literária.
Não se contenta, efetivamente, com produzir os fatos dessa historia, mas,
seguindo os princípios do Midrash, esforça-se por descobrir o sentido mais
profundo deles.
Nos estudos Bíblicos modernos, o vocabulário Midrash
pode significar um método Rabínico de exegese, ou uma forma literária especial.
O Midrash rabínico, como forma literária, é uma literatura relacionada com a Bíblia;
é “Uma literatura sobre uma Literatura”.
IV)
DOUTRINA
O
Deus da sabedoria é o Deus da tradição israelita: criador onipotente, soberano,
Senhor dos destinos do universo. deus é infinitamente sábio(Sb 11,20); rege
todas as coisas com justiça e sempre aplica ao crime o castigo proporcional(Sb
12,15 – 18) .
Este livro
enriquece a literatura sapiencial com novos esclarecimentos acerca de dois
pontos importantes: a imortalidade da alma dos justos e a personificação da
Sabedoria.
1. Imortalidade dos justos. O autor se debate com o
problema do justo que morre sem receber recompensa alguma. Oferece uma resposta
às questões angustiantes de Jó, ensinando que as almas virtuosas perseguidas
sobre a terra gozam de tranqüilidade perfeita junto de Deus e que, no dia da
Visita ou do Juízo, serão recompensadas (2,22; 3,1-9; 4,7-14; 5,15-23). Em sua
maneira própria de insistir sobre a prioridade e o destino imortal da alma, o
autor deixa transparecer inegáveis influências gregas. Todavia, ele não partilha
do dualismo platônico: O homem permanece um ser composto de alma e corpo, e a
doutrina da ressurreição corporal, afirmada explicitamente em Dn 12,2-3 e 2Mc
7,9 parece bastante presente em alguns trechos (cf. especialmente 3,7 e
5,15-16). Ele resume em duas palavras tipicamente gregas a ideia de uma
recompensa futura dos justos: "imortalidade" (1,15; 3,4; 4,1; 8,17; 15,3)
e "incorruptibilidade" (2,23; 5,18-19).
2. Personificação da Sabedoria. Personificando a
Sabedoria, o autor retoma e prolonga o texto de Pr 1-9. Todavia, ele acentua a
atividade criadora da Sabedoria (7,12. 22; 8,5-6) e sua função cósmica (7,24;
8,1). Para os gregos, a sabedoria era principalmente um meio de se chegar ao
conhecimento e à contemplação do divino. Para o autor, ela é a Revelação
divina, é quem desvela a vontade e as intenções de Deus (9,13-17). Ela partilha
da vida de Deus e está associada a todas as suas obras (8,3-4). Governa o mundo
com bondade (8,1). Reside particularmente nos justos, na alma dos quais
permanece, transformando-os em amigos de Deus (1,4; 7,27). Finalmente, ela é a
fonte de toda ciência e de todo conhecimento (7,16-21).
V)
A FONTE DA SABEDORIA
Desde
o começo os sábios israelitas reconheceram que a verdadeira sabedoria humana
tem uma fonte divina: Deus comunica a sabedoria a quem bem lhe apraz, e pode
fazê-lo porque Ele próprio é o Sábio por excelência. a sabedoria é uma realidade
divina; e existe desde sempre (Pr 8,22 – 26; Eclo 24,9). Procede da boca do Altíssimo
(Eclo 24,3), como Palavra proferida por Ele; é um eflúvio do poder de Deus, uma
emanação puríssima da gloria do onipotente.
Conclusão
Deus
nos fez sua imagem e semelhança, somos, portanto, criaturas “Dele”, dotados de
inteligência e sabedoria. Este dom que recebemos do Pai, nos torna filhos e
filhas e irmãos em Cristo.
A
nossa sabedoria então deveria nos ajudar a construir um mundo mais fraterno e
solidário, porém nem todos tem a mesma compreensão desta sabedoria. O apóstolo
Paulo em sua carta aos coríntios nos diz: “Com efeito, a linguagem da cruz é
loucura para os que se perdem, mas para os que estão sendo salvos, para nós,
ela é poder de Deus” – (1Cor 1,18).
A
maneira de ensinar empregada por Nosso Senhor se parecia com as dos sábios de
Israel: usava as mesmas formas que eles (sentenças e parábolas – os Mãsbãl), e
como ele enunciou normas de vida (Mt 5 – 7). Admirava-se o povo de sua sabedoria
(Mc 6,2), e Ele podia dizer de si mesmo: “A rainha do sul veio dos confins da
terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Mas aqui está algo mais do que Salomão!”
– (Mt 12,42).
O
que podemos observar é que a literatura sapiencial
floresceu em todo o Antigo Oriente. Ao longo de sua história, o Egito produziu
escritos de sabedoria. Esta sabedoria foi conhecida pelos israelitas. O mais
belo elogio que a Bíblia pensa fazer da sabedoria de Salomão é que ela
ultrapassava a dos filhos do Oriente e a do Egito (1 Rs 4.24).
Esta sabedoria foi conhecida pelos israelitas. O mais belo elogio
que a Bíblia pensa fazer da sabedoria de Salomão é que ela ultrapassava a dos
filhos do Oriente e a do Egito (1 Rs 4.24).
Os escritores do Novo Testamento compreenderam que, se Jesus
comunica a sabedoria dos homens, é porque Ele próprio é a sabedoria de Deus
(1cor 1,24. 30). A sabedoria pessoal de Deus se revela plenamente em Jesus
cristo que saiu do Pai para habitar entre os homens conquistar-lhes a salvação.
Nele toda sabedoria dos sábios encontra o seu termo e seu verdadeiro significado.
Aprendemos a realizar cálculos, a resolver problemas teóricos e
práticos, a manejar instrumentos, a escrever corretamente. E também aprendemos
sobre os acontecimentos históricos, as teorias da ciência, as regras de convívio
social, dentre tantas outra coisas. Tudo isso é útil para nossas vidas, e até
mesmo indispensável.
Mas quando dedicamos algum tempo para aprender algo sobre nós
mesmos, sobre as nossas existências? E em que medida os nossos conhecimentos se
traduzem em sabedoria, em um
saber-viver, para que nossas vidas possam, enfim, conquistar sentido. Situamo-nos, portanto, diante
de uma pergunta fundamental: será que podemos e devemos, - aprender a ser felizes?
Se isso é possível, não será um aprendizado qualquer. E nem se
trata mais de simplesmente esperar a felicidade, mas de construí-la e conquista-la.
Se a felicidade é algo que possamos aprender, então não basta seguir receitas.
Não há técnica pronta.
“Feliz o homem que se dedica
a sabedoria, que reflete com inteligência, que medita no coração sobre os
caminhos da sabedoria e com a mente penetra os segredos dela”.
A
sabedoria consiste em perceber o sentido da vida, captado através da
experiência da geração presente e da tradição dos antepassados.
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