Lc 6, 27 – 35
Mas eu vos digo, a vós que me ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei bem
aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.
A quem te bate numa face, apresenta ainda a outra. A quem te toma o
manto, não recuses também a tua túnica. Dá a quem quer que te peça, e quem te
toma o teu bem não o reclames. E assim como quereis que os homens façam a vós,
fazei do mesmo modo a eles.
Se amais os que vos amam, que gratidão mereceis? Pois os pecadores também
amam os que os amam. E se fazeis o bem aos que vo-lo fazem, que gratidão mereceis?
Os próprios pecadores fazem o mesmo. E se emprestais àqueles dos quais esperais
que vos restituam, que gratidão mereceis? Até os pecadores emprestam aos
pecadores para que lhes restituam o equivalente.
Mas amai vossos inimigos, fazei o bem e emprestai em nada esperar em
compensação. Então a vossa recompensa será grande, e vós sereis filhos do Altíssimo,
pois ele é bom para os ingratos e para os maus.
Ouvindo essas palavras de Jesus chega-nos a ser impossível de acreditar
que possamos fazer isso. Como podemos amar e perdoar alguém que nos fez um
grande mal? Quando Ele nos diz: Amai vossos inimigos, e quem te toma o teu bem não
reclames, Jesus aqui nos faz um convite: Sedes perfeito como perfeito é o seu
Pai celeste: Significa ser perfeito no Seu amor.
Aconteceu algum tempo atrás uma grande tragédia numa família de classe média.
O pai aposentado vivia com esposa, e com o único filho que o casal tinha. Um rapaz
jovem de 28 anos de idade acabara de se formar em medicina e já estava fazendo residência
em um dos melhores hospitais da capital.
Certa madrugada ao voltar para casa de um plantão na madrugada foi
abordado por dois marginais no portão de sua residência, que apontavam um revólver
em sua direção e pediam para que ele saísse do carro. O jovem muito nervoso fez
um gesto de tirar a chave do carro da ignição e os bandidos acharam que ele
estava pegando uma arma e deram três tiros no rapaz, que veio a falecer na
hora.
Seu pai ouviu os disparos e correu desesperadamente até a porta de casa
quando viu seu filho caído no chão sem vida. Foi o fim de tudo para ele, ali
mesmo ele caiu e teve um pequeno enfarto, foi socorrido pelos vizinhos e
medicado a tempo.
Já no hospital no final da tarde depois de ter recuperado seus sentidos,
ele lembrou tudo e começou a chorar. O seu caso ainda era muito delicado, teve
de ficar mais três dias no hospital sobre observação. O fato é que ele não pode
ir ao enterro do próprio filho.
A vida para este homem havia acabado naquele dia, passados 8 (oito) meses
depois da tragédia, ele continuava em silêncio, não falava com ninguém, seus irmãos
tentavam de todas as maneiras reanima-lo mas sem sucesso. Um certo dia ele saiu
de casa muito cedo, nem a esposa ele havia falado nada. Ao ligar a televisão por
volta das 09h da manhã, estava passando uma reportagem ao vivo do centro da
capital, um dos prédios mais altos era o foco da imagem.
Pois lá no topo se encontrava um homem preste a pular e acabar com própria
vida, e este homem era seu marido. Ela conhecia o prédio e sem pensar duas
vezes correu imediatamente ao local. Havia uma multidão de curiosos, o corpo de
bombeiros, a imprensa, a polícia militar e federal muita confusão. Ao chegar,
ela procurou falar com quem estava no comando da operação e disse que era sua
esposa e pedia permissão para falar com ele, nem que fosse pela última vez,
pois havia perdido um filho e agora estava prestes a perder o marido.
Ao chegar ao topo ela avistou o marido em pé na ponta do prédio pronto para
pular. Ela falou com uma voz bem mansa e tranquila, William meu amor o que você
está fazendo? Quando ele ouviu sua voz se voltou para traz e disse: Judite porque
você veio até aqui? Para te ver meu bem, queria que você levasse uma última
lembrança de mim.
As lágrimas escorriam como água no rosto de William, e ele só repetia uma
pequena frase: perdoe-me, perdoe-me, perdoe-me! Não tenho nada que te perdoar, você
foi um homem maravilhoso e o pai mais amoroso que eu já vi na minha vida. Vim apenas
aqui para te deixar uma mensagem que Deus me pediu. Ele me falou que te ama
muito, que você é um filho muito querido, mas que está muito decepcionado com
você.
William ainda no momento de muita dor grita: Deus, Deus... Onde estava
ele quando nosso filho foi morto, por que ele não o protegeu? Judite disse: Ele
estava do lado do nosso filho, ele o abraçou e o confortou para sua nova
caminhada. Ele está no meio de nós a todo o momento. Eu não acredito nisso,
falou William. Veja como o sol brilha, está vendo lá embaixo, nos prédios ao
lado, em todos os locais o sol consegue penetrar, nem que seja um pequeno furo
no telhado lá na última casinha, ele entra e vai até o chão da casa.
Assim é Deus, como o sol, ele penetra em todos nós, nos quatro cantos do
mundo, basta abrir seu coração e deixar “Ele” entrar. Ao ouvir as palavras de
Judite, William aos poucos foi se voltando para ela e quase como num impulso
caiu em seus braços e os dois choraram juntos por um bom tempo. E ainda em
choro ele dizia, meu Deus perdoe-me, pois eu perdoo o mal que fizeram com meu
filho. A emoção tomou de conta de todos, pois a imprensa filmava tudo e o país inteiro
se comovia com estória desse casal.
Essa pequena estória pode ter acontecido em algum lugar desse mundo, não dessa
forma, mas talvez com a mesma intensidade. Muitas vezes achamos difícil
perdoar, mas isso acontece porque não conhecemos a essência de Deus.
“Louvado
seja Nosso Senhor Jesus Cristo”.
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