
I - INTRODUÇÃO
Estamos no século XXI, onde no decorrer da história da humanidade, o homem travou muitas lutas para alcançar muitas conquistas. E estas lutas continuam até hoje, é claro que cada sociedade apresenta uma história peculiar. A época colonial, da conquista à independência, foi muito diversa para cada uma. Os séculos XIX e XX podem ser vistos como amplos cenários de tropelias oligárquicas, ensaios liberais, experiências populistas, reincidências ditatoriais, revoltas populares, revoluções democráticas, experimentos socialistas, golpes contra-revolucionários, estratégias modernizantes. A pluralidade étnica regional, cultural, socioeconômica e política estão desenhadas no mapa de cada nação com suas singularidades.
Todas estas conquistas tiveram bem presentes na história da humanidade, a participação ativa da mulher. Por que então revestido de um simbolismo masculino foi suprimido a figura do feminino no contexto histórico?
É exatamente nisto que consiste o nosso trabalho, cujo objetivo é conhecer as causas e conseqüências da supressão da importância da mulher nas conquistas e lutas travadas na história. Preocupamo-nos em buscar um conhecimento maior sobre o assunto, ressaltando que o nosso trabalho não consiste em uma pesquisa científica, mas sim retratar a importância da mulher em pé de igualdade pela luta e conquista realizada na história da humanidade.
A nossa pesquisa buscou um aprofundamento maior no Evangelho de Lucas, para compreendermos melhor a situação em que vive a mulher hoje. Ela está longe do ideal desejado por Deus? Que ideais são estes? Será o de companheirismo, irmã, carne da mesma carne do homem? Como vive a mulher? Que caminhos de libertação estão percorrendo? Como a Bíblia a ver e pode ajudar? Estas e outras perguntas tentaremos refletir para compreender melhor o tema de nosso trabalho que é gênero.
Outras fontes também foram pesquisadas como: revistas, livros e textos da internet. Procurei me emprenhar o Máximo , pesquisando, estudando, refletindo da melhor maneira possível, para que o trabalho alcance seu objetivo.
II – DESENVOLVIMENTO
1. A genealogia de Jesus – (Mt 1, 1 – 17)
Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão: Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacó,..., Judá gerou Farés e Zara, de Tamar. Salmon gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Davi gerou Salomão, de Urias (Bersabéia). E Ana e Joaquim geraram Maria, mãe de Jesus.
Quando a comunidade do evangelista Mateus quis relatar a “Certidão de Nascimento” de Jesus, foi contando de 14 em 14 gerações. No tempo da comunidade de Mateus, nas coisas escritas, só se lembrava do nome do pai, um pouco como ainda hoje acontece em muitos convites de festas nas nossas regiões. Mas a comunidade de Mateus colocou, entre os antepassados de Jesus, cinco mulheres todas elas ilustrando os caminhos imprevisíveis de Deus.
Tamar-, tataravó de Jesus que, para defender o direito, a justiça e a vida, viu-se obrigada a se prostituir (Gn 38, 1ss).
Raab-, tataravó de Jesus, prostituída pelos poderosos do tempo, defendeu a vida dos fracos e o projeto de Deus (Js 2, 1ss).
Rute-, Tataravó de Jesus, mulher estrangeira e de “outra religião”, defendeu o direito e a vida da velha Noemi (Rt 3, 1 – 15).
Bersabéia-, tataravó de Jesus, mulher violentada e calada na corte do rei Davi, mulher que como muitas mães, viu morrer sua criança matada pela ganância dos poderosos (1Sm 11, 2 – 5). São estas, junto com Maria, as únicas mulheres que a comunidade de Mateus coloca na “Certidão de Nascimento” de Jesus.
Mulheres da luta cotidiana pela sobrevivência. Mulheres com as mãos calejadas e os olhos molhados de lágrimas, o corpo e a alma feridos. Por causa dos poderosos que só fabricam fome, desemprego, violência e a morte de crianças...
Tamar, Raab, Rute, Bersabéia, Maria... Mulheres santas, simples e cotidianas, dos nossos altares de mulheres, altares de cozinha que não cheiram ouro, mas suor e luta pela defesa da vida custe o que custar. Tamar, Raab, Rute, Bersabéia, Maria... Marias... Santas simples e “arretadas” que, nas lágrimas e nos gritos, continuam com essa estranha mania de ter fé na vida. Minhas amadas mães na fé... Nossas amadas mães na esperança...
2. Gênero – O imaginário feminino da divindade
Queremos refletir a contribuição que a reconstrução da memória da deusa tem para o universo das mulheres enquanto empoderamento e significação da vida, e como imaginário feminino da divindade pode influenciar em relações de gênero mais recíprocas, partilhadas e igualitárias.
A complexidade da vida humana evoca a utilização de uma vasta simbologia, de uma linguagem capaz de comunicar aquilo que muitas vezes não é exprimível por palavras. A linguagem simbólica torna a humanidade possível à medida que dá significado à vida e às coisas, à medida que é expressão dos sonhos, da poesia, do amor, da arte e, principalmente, da experiência religiosa.
As construções simbólicas e seu imaginário sempre estiveram presentes na história da humanidade, são o material primordial dos mitos e ritos que em seu conjunto constituem o que chamamos de religião.
Desta forma, uma contribuição relevante à reflexão de gênero é refletir como a construção do imaginário da divindade judaica foi se revestindo de um simbolismo masculino em conseqüência da supressão do feminino, num contexto em que a autoridade masculina se reveste de um caráter sagrado justificando e naturalizando ao longo da história práticas e funções masculinas como superiores às femininas.
O cristianismo herda este imaginário simbólico reproduzindo em muitos de seus ambientes essas relações patriarcais, excluindo as mulheres das funções de autoridade e privando-as de algumas práticas sagradas. É importante ressaltar que essa negativização do feminino não ficou reclusa aos ambientes religiosos judaicos e cristãos, mas principalmente no que tange à cultura ocidental se estendeu aos espaços sociais, políticos, econômicos, etc.
Assim foi, séculos após séculos, a figura feminina vista com fragilidade e sem muita importância para uma sociedade patriarcal, onde a mulher não tem vez e nem voto para as decisões que competia ao homem tomar.
Muitos povos marginalizaram a mulher. Na nossa cultura a mulher foi diminuída em sua dignidade. A família, a escola e até a religião contribuíram na veiculação da ideologia da inferioridade da mulher. Herdamos muitos preconceitos contra a mulher como: a mulher foi feita para ficar em casa e tomar conta dos filhos e da cozinha; o homem trabalha fora. A mulher que vive fora de casa está procurando sarna para se coçar; etc.
Mesmo com toda luta para conquistar sua independência, até hoje às mulheres sofrem pelo preconceito. Uma realidade disso são os cargos ocupados por elas nas empresas, nas indústrias, no comércio, são sempre delas os menores salários. Embora já se tenha mudado bastante alguns casos de mulheres ganhando mais do que os homens, mesmo assim, equiparando-se com os direitos iguais para todos,o percentual ainda é muito pequeno.
Mas a mulher vai à luta e não desiste de ter sua participação na sociedade e na Igreja, é o que veremos a seguir. Mas antes vamos relatar a importância da mulher no Novo Testamento.
3. Jesus, quanto a gênero no evangelho de Lucas
O evangelho de Lucas vai nos apresentar de uma forma reta e justa, a questão do gênero e seus acontecimentos relacionados com Jesus. Lucas faz uma equiparação de relatos, ora relacionados com as mulheres, ora relacionados com os homens. Por exemplo: o homem que planta o grão de mostarda, e a mulher que usa o fermento (Lc 13, 18 – 21); o homem que procura a ovelha perdida, e a mulher que procura a moeda perdida (Lc 15, 4 – 10); o filho único da viúva, e a filha única de Jairo (Lc 7, 12; 8, 42); a cura, no sábado, da mulher encurvada, e o do homem com hidropisia (Lc 13, 10 – 17; 14 1 – 6); duas listas com as pessoas que seguem Jesus – uma de homens (Lc 6, 12 – 19) e outra de mulheres (Lc 8, 1 – 3).
Logo no primeiro capítulo, podemos observar o diálogo do anjo do Senhor com Zacarias e depois com Maria, que se dá da seguinte forma: o anjo aparece a Zacarias e anuncia que sua mulher dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de João (Lc 1, 13); da mesma forma o anjo veio à presença de Maria, não temas Maria, pois obtiveste graças junto a Deus. Eis que engravidarás e darás à luz um filho, lhe darás o nome de Jesus (Lc 1, 30 – 31)
O que podemos observar em primeiro lugar é a graça de Deus, que se manifesta em duas mulheres. Porém, Maria e Zacarias representam duas regiões e duas tradições diferentes: a mulher da Galiléia e o sacerdote de Jerusalém, morador das montanhas de Judá. Maria vem da região fértil da Galiléia; Zacarias e Isabel, das montanhas de Judá. Maria é virgem e jovem, Isabel é estéril e idosa. Maria tem potencialidade para ser mãe, Isabel não. Mas pela vontade divina é possibilitado que Isabel seja fecundada.
Outra observação importante é o diálogo do anjo com Zacarias em (Lc 1, 18), e Maria em (Lc 1, 34). Enquanto a pergunta de Zacarias manifesta a sua incredulidade (v. 20), a de Maria é acolhida pelo anjo como inspirada por uma fé que procura esclarecer-se (VV. 35 – 36; cf. v 45). Na narrativa, está a pergunta suavemente para introduzir uma relação mais completa do mistério de Jesus (v 35).
4. Jesus e a atenção com as mulheres
O evangelho de Lucas se dirigiu às Igrejas fundadas, por Paulo (com Silas, Timóteo, Tito), no mundo da cultura grega. É traço também bem característico em Lucas a atenção dispensada às mulheres no seu evangelho, pois no mundo de seu tempo a posição destas se achava degradada; e a insistência do terceiro evangelista nos surpreende ainda mais quando comparamos seu evangelho com Mateus e Marcos. Entre as mulheres introduzidas por Lucas estão: Isabel mãe de João Batista (Lc 1, 39 – 58); Ana, a profetisa (Lc 2, 36 – 38), a viúva de Naim (Lc 7, 11 – 17); a pecadora arrependida (Lc 7 36 – 50); as mulheres da Galiléia que acompanhavam a Jesus no ministério público notadamente Maria Madalena, Joana e Susana (Lc 8, 2); a cura de uma mulher e a ressurreição da filha de Jairo (Lc 8, 40 – 56); a cura da mulher no sábado (Lc 13, 10 – 17); a parábola da moeda reencontrada (Lc 15, 8 – 10); a oferta da viúva pobre (Lc 21, 1 – 4); as mulheres que seguiram Jesus ao cativeiro (Lc 23, 27 – 31); as mulheres que estavam com ele nos derradeiros momentos de sua morte (Lc 23, 55ss); e as mulheres no túmulo de Jesus (Lc 24, 1 – 12). Finalmente, é impossível não reconhecer que nas narrativas da infância a pessoa de Maria sobressai de modo bem singular. Deus se digna informá-la do prodígio que deverá realizar nela, e o eco prolongado do “Ave, ó cheia de Graça”, proferido pelo anjo, já se faz ouvir no Magnificat.
Na fala de Isabel está presente mais uma palavra, que expressa à alegria do encontro: “Bem-aventurada (Makaria) a que creu”. É a fala retomada por Jesus, no capítulo (Lc 11, 27 – 28) do evangelho de Lucas, quando uma mulher se levanta na multidão e exclama: “Bem-aventurada a que te concebeu e os seios que te amamentaram!”.
5. Mulheres e profetismo no primeiro testamento
“... O profetismo é também o anúncio da esperança, da utopia que buscamos e não nos deixa desanimar, porque temos a promessa do futuro, assim como já conduziu os passos dos profetas e pais que nos precederam na fé”. (Cavalcante, 1987)
Quando se fala em profecia, profetismo lembramos logo dos grandes profetas do AT, todos grandes homens, Amós, Isaías, Jeremias, Elias, que alegavam fala em nome de Deus; a experiência imediata de Deus, a revelação da santidade de Deus e de sua vontade, faz do profeta um homem que “julga o presente e vê o futuro à luz de Deus e é enviado por Deus para recordar aos homens as exigências de Deus e conduzí-los para o caminho da obediência e amor a Ele”.
Porém se olharmos atentamente aos textos bíblicos, numa perspectiva feminina veremos que, no agir profético, houve como ainda há em nossos dias, a participação insubstituível da mulher. No entanto, se fazemos uma leitura bíblica carregada de preconceitos e estereótipos masculinos, as mulheres profetizas não serão encontradas facilmente.
“As biblistas feministas, em geral, são multidisciplinares em sua abordagem do texto bíblico, elas trabalham com análise literária, a antropologia, a sociologia, a lingüística, a filosofia e a psicologia. A interligação de todos esses campos permite penetrar o texto em seu contexto de povo de Deus num mundo abrangente. Essa leitura é importante para todas as religiões”. (Ana Flora Anderson).
Se observarmos bem a leitura bíblica, percebemos que a figura da mulher aparece ocultamente. Mesmo quando sua presença é importante, seu nome é substituído ou acompanhado por sua função familiar: a irmã de Moisés, a mãe dos Macabeus, a mulher do profeta, etc.
Portanto, se faz necessário uma leitura bem crítica da Bíblia, percebendo a importância da mulher e seu papel na formação do povo de Deus. Lá a mulher aparece explicitamente numa posição louvável, especialmente se ela recebe o título de “Profetisa” ou “Juiza”, é porque sua liderança ultrapassa todas as barreiras patriarcais. E se impôs como impossível de ser omitida.
III - PROFETISAS DO PRIMEIRO TESTAMENTO
Como já falamos anteriormente a Bíblia cita a participação de algumas mulheres, na caminhada da formação do povo Judeu. Porém, já sabemos que a elas não lhes é dado à importância merecida, por isso, vamos agora, falar de algumas dessas mulheres e mostrar de uma forma sistemática a importância de cada uma delas.
1. Mirian ( Ex 15, 20 – 21 ; Mq 6, 4 ; Nm 12 )
É aquela que puxa o cordão das mulheres, toca tamborim, dança e canta em homenagem a Javé, o Libertador. O texto menciona seu parentesco com Aarão, uma forma de não deixar a liderança de uma mulher sobressair sozinha. Em Miquéias, aparece em pé de igualdade com Moisés, depois ela é punida com lepra por contestar Moisés e só é curada com a mediação do mesmo.
Mas sua força, fé e liderança sobre as mulheres são reconhecidas por Deus, que quer vida digna para todos e todas.
2. Débora (Jz 4 – 5)
Num momento de fraqueza e dispersão das tribos, a juíza Débora convoca o chefe Barac e todos os guerreiros para lutar em defesa do povo e sob a proteção de Javé.
“Aqueles que te amam, Javé, que eles sejam como o sol quando se levanta em sua força” – (Jz 5, 31).
3. Agar (Gn 16; 21, 8 – 21)
A história de Agar entra em sintonia com a história de milhares de mulheres, mães solteiras ou abandonadas pelos maridos, tendo que arcar sozinhas com a criação dos filhos. E o incrível é que vendo a história por essa ótica, Abraão, nosso pai na fé, fica em maus lençóis, foi omisso, deixou que seu filho fosse embora, viver em condições difíceis no deserto com sua mãe, tendo na casa do Pai todo conforto.
Porém Javé, que é Deus da vida, recompensa Agar a ela se manifestando e anunciando a promessa de grande descendência.
4. Rute e Noemi (Livro de Rute)
Duas mulheres em condições peculiares: uma viúva (Noemi) e a outra também viúva e estrangeira (Rute, a Moabita). Ambas vão lutar para sobrevivência numa situação precária na qual fazem valer a lei a seu favor.
O profetismo de Rute e Noemi conserta na afirmação da vida e da posteridade da família e do povo, num contexto de total desesperança.
5. Ester (Livro de Ester)
Ester surge ligada a um contexto de perigo iminente do extermínio do seu povo. O livro relata o episódio da história dos judeus em que um alto funcionário da corte do rei Assuero decreta extermínio dos judeus. Ester, esposa do rei, de origem judia, expõe sua vida na tentativa de impedir que o decreto fosse cumprido e consegue inverter o processo.
6. Judite ( Livro de Judite)
Trata-se de uma história fictícia que objetiva estabelecer a fé no Deus que “está conosco” e recuperar a confiança do povo, mantendo-o fiel ao projeto de Javé. Como Jael e Ester, Judite arrisca sua vida e usa seus encantos femininos para cativar e depois trair o general inimigo e assim salvar os filhos de Israel.
No momento mais decisivo de sua atuação, sua oração faz lembrar aos homens e mulheres de nossa sofrida America Latina que nosso Deus é nossa força, “é o Senhor quem protege o oprimido”.
“Teu poder não está no grande número, nem tua soberania entre os que têm força. És o Deus dos humildes, o socorro dos oprimidos, o amparo dos fracos, o protetor dos abandonados, o salvador dos desesperados”. (Jt 9, 11)
Estas são apenas algumas das mulheres que lutaram ao lado de alguns homens e muitas vezes contra eles, para conquistar a dignidade feminina, de fé, amor no Deus Javé, libertador dos homens, mulheres e crianças.
IV – O FEMININO E O MASCULINO NO DECORRER DA HITÓRIA
O que é o feminino e o masculino? Se vamos comparar as diferenças biológicas visíveis entre os sexos, iríamos começar pelos órgãos genitais e os seios; mas a questão não é esta, queremos compreender sim, do ponto de vista, a importância das diferenças sociais, a participação, a ação, o comportamento e os sentimentos de cada um na história.
Podemos começar do princípio de que as diferenças entre aptidões masculinas e femininas se devem em parte à educação que recebemos. Onde as meninas são incentivadas desde cedo a brincar de bonecas, cozinhar de mentirinha e brincar de casinha. Os meninos para gostarem de carros, bolas, armas e brinquedos eletrônicos; embora esse conceito tenha mudado muito, de uns anos atrás para hoje, ainda se pensa na filha que ajuda a mãe nos afazeres da casa e o filho nos consertos mecânicos da mesma.
E durante todo tempo na história, como se deu este convívio entre homens e mulheres? É o que vamos ver agora.
1. Como o gênero era visto nas religiões e suas épocas?
As diferentes culturas freqüentemente associam o princípio feminino e masculino aos fenômenos da natureza, é comum ouvir que a lua é o astro das mulheres, e o sol, o dos homens. Algumas tribos acreditam que o mundo foi criado com o acasalamento entre o céu (macho) e a terra (fêmea). A terra é um elemento feminino por excelência, porque é geradora.
As sementes brotam da terra, assim como as crianças , do ventre materno.
Na pré-história, as crenças religiosas associavam a fecundidade feminina à fertilidade da terra. Assim, a imagem e a presença da mulher e sua capacidade de gestação são invocadas por estatuetas femininas que se multiplicam neste período.
Durante a antiguidade e a idade média, sobrevive a crença numa deusa-mãe ligada a terra, sobretudo entre os camponeses, interessados em assegurar sua colheita. Todas as sociedades praticam uma divisão de tarefas e de atividades relacionadas ao sexo. Geralmente os homens são designados para os trabalhos de força física, como a caça e a guerra, e as mulheres, costumam cuidar da casa e dos filhos, e também da agricultura.
2. Homens e mulheres na antiguidade
Na Grécia clássica, os homens e as mulheres tinham espaços de atuação bastante demarcados. Os homens levavam uma vida voltada para atividades públicas. Participavam da política como cidadãos que votavam e tinham cargos eletivos. Aprendiam a guerrear e praticar esportes. As mulheres eram educadas para cuidar do lar, durante o dia, permaneciam em um cômodo da casa exclusivamente feminino, chamado gineceu.
Nesta época havia um preconceito muito grande com as mulheres, pois os homens preferiram muitas vezes praticar o homossexualismo entre eles, por achar que elas eram um ser inferior.
3. O gênero na idade média
Na idade média meninos e meninas das classes mais ricas eram separados desde criança. As meninas ficavam trancadas nos quartos para mulheres, e os meninos aprendiam a participar da vida nas ruas e a guerrear.
Os nobres aprendiam desde cedo a caçar e a lutar, se tornando muitas vezes extremamentes violentos. Conviviam com outros homens e com prostitutas, num ambiente de armas, competições físicas, ferimentos e coragem guerreira; por isso o encontro desses homens com as mulheres do seu grupo era de forma brutal.
Quanto à mulher não tinham contato com homens até a data de seu casamento. Não sabiam quase nada do que ia se passar na noite de núpcias, mas, haviam aprendido que deviam obedecer a seus maridos e dar-lhes filhos e prazer.
A religião ensinada às mulheres considerava o prazer feminino um pecado. Assim, elas deviam deixar seus maridos usufruir seu corpo, sem, contudo, desviarem o pensamento de Deus. O ideal feminino na idade média era o da virgem. Nessa época a mulher sempre dependia de um homem: seu pai, seu marido ou filho mais velho. O casamento era decidido por famílias de acordo com as conveniências sociais.
4. Homens e mulheres no Renascimento
Do século XVI ao XIX, a demarcação entre papéis femininos e masculinos sofreu alterações, embora o ideal da mulher reclusa medieval tenha continuado a influenciar os comportamentos.
A exemplo disso as últimas décadas do século na Inglaterra, conhecida como época vitoriana, no reinado da Rainha Vitória. Foi tido para os historiadores como muito rígida. As moças educadas para o casamento e, até lá, deviam-se manter virgens. Os homens trabalhavam para sustentar a casa sair livremente à rua.
As meninas, principalmente as jovens, não podiam sair sozinhas. De forma geral, foi a partir do Renascimento que começaram a se tornar nítidas as contestações quanto aos casamentos de conveniência. A sociedade passa por transformações em conceder maior espaço aos desejos individuais. Um exemplo dessa mudança é a obra Shakespeare, Romeu e Julieta, o amor de dois jovens é impedido pelos integrantes das famílias, que eram rivais políticos.
A prática do casamento arranjado não acaba no Renascimento, mas data daí o nascimento do amor moderno, romântico, mais importante do que qualquer convenção, e que une os indivíduos por vontade própria.
5. O gênero e os séculos XX e XXI
Aos dias atuais podemos dizer que casamentos forçados é coisa do passado. O que despontou como transformação no século XX é o questionamento do próprio casamento e o crescimento do número de divórcios. A liberalização das condutas sexuais e o aperfeiçoamento de técnicas anticoncepcionais – principalmente a invenção da pílula – tem papel fundamental para essa mudança de comportamento.
Outro dado importante é a longevidade da vida dos homens e mulheres que morrem cada vez mais tarde. Assim muitas vezes os relacionamentos se desgatam, homens e mulheres trocam de parceiros com mais facilidade, e assim sendo procuram cuidar e preservar a juventude física por mais tempo; recorrendo a regimes, esportes, plásticas, pinturas do cabelo etc.
O amor romântico que reuniria dois seres por toda vida está em declínio. Vivemos a fase atualmente do “que seja eterno enquanto dure”. Principalmente hoje, no início do século XXI, essas transformações afetam a divisão tradicional de papéis entre homens e mulheres. Hoje a mulher pode ir sozinha a qualquer lugar, restaurante, boate etc., além disso, a figura da mulher como mãe e esposa não é mais essencial para demarcar a feminilidade. A maternidade, também vem se modificando, cada vez mais, “mães solteiras” ocupam seu espaço na sociedade.
Muitos homens divorciados ou viúvos tem aprendido a cuidar sozinhos dos seus filhos e exercer funções que tradicionalmente só eram realizadas por mulheres. Em suma, as antigas divisões de tarefas, e mesmo a aparência tradicional que distancia homens e mulheres, tendem a se transformar.
V - CONCLUSÃO
Acompanhamos até aqui o desenvolvimento, as causas, as conseqüências do relacionamento entre homens e mulheres na história do mundo, antigo, medieval e atual.
Percebemos o quanto a figura da mulher foi injustiçada, apagada, durante muitos séculos para uma sociedade machista, cruel, que marginalizaram a mulher, diminuindo-a em sua dignidade.
Nasce uma nova maneira de ver e conviver com a mulher. Nessa ultima década, a mulher latina americana tomou consciência de sua vocação de mulher e em muitos ambientes deixou de ser simplesmente a companheira que distraía, consolava e fazia feliz o homem, seu esposo, para tornar-se a amiga de verdade, a confidente, a companheira e sócia na tarefa de educar, governar e administrar toda vida do lar. Está em marcha esse novo tipo de mulher, “co-criadora” de uma nova sociedade, “confidente” dos problemas familiares e pessoais e “complemento insubstituível” do homem no caminho de sua personalização.
Hoje está bem claro na sociedade, muitas vezes as inversões de papéis, na convivência de alguns casais. A mulher cada vez mais, conquistando seu espaço no mercado de trabalho, em nível de igualdade profissional. Infelizmente, ainda lhes são negados alguns direitos salariais e cargos iguais ou superiores aos homens. Na realidade o que podemos constatar são mulheres assumindo o comando da família; porque o marido está desempregado e não consegue arranjar emprego. Com o seu salário ela garante com muita dificuldade pagar algumas despesas, como: alimentação, aluguel, vestimenta, calçados, etc., enquanto em contrapartida o marido cuida das crianças e da casa na sua ausência. Isso é uma realidade hoje na sociedade em que vivemos, o pior de tudo é que, muitas dessas mulheres ainda são maltratadas por seus maridos, que não assumem a responsabilidade pelos filhos e nem ajudam em casa. Muitos são alcoólatras e não fazem o mínimo esforço para procurar emprego e ainda exigem que as mulheres sustentem seus vícios.
É difícil de acreditar, mas infelizmente é uma realidade que ainda acontece com as mulheres. E as leis que se dizem suficientes para praticar a justiça por elas, muitas vezes ficam só no papel e na teoria, enquanto isso elas continuam sofrendo, os preconceitos do mundo pós-moderno.
Diante de todo nosso estudo, não podemos deixar de encerrar nosso trabalho sem falar da mulher Maria, a mãe de Jesus, é o ponto culminante da valorização da mulher na Bíblia. No seu canto de libertação – “Magnificat” (Lc 1, 46 – 56), é o homem como um todo que é libertado: corpo e espírito. A libertação que Maria canta é a de seu filho Jesus, a que começa aqui neste mundo e completa-se na plenitude do céu.
“Jamais seremos livres sozinhos; só seremos livres juntos. Minha liberdade cresce na medida em que cresce também a tua e conjuntamente gestamos uma sociedade de cidadãos livres e solidários – (Paulo Freire)”.
BIBLIOGRAFIA
1. Sousa, Amaurílio Machado de. – O Desafio de Ser Cristão. São Paulo: Editora Paulinas, 1990
2. Susin, Luiz Carlos – A Criação de Deus. São Paulo: Editora Paulinas, 2003
3. SENAC. DN – Ritos do Corpo/ Lorelai Kury; Lourdes Hargreaves; Maslova Teixeira Valença. Rio de Janeiro: Editora SENAC Nacional, 2000
4. Alemany, Carlos – Aprendendo a Aprender: 14 aprendizagens essenciais para a evolução pessoal. São Paulo: Editora Paulinas, 2004
5. CNBB – Novo Testamento, tradução da CNBB. São Paulo: editora Loyola Multimídia, 1997
6. Pesquisa internet – site Cebi: www.cebi.org.br – tema: mulheres e profetismo no primeiro testamento, 18.10.2007
7. A Bíblia Sagrada da TEB – Primeiro e Segundo Testamento. São Paulo: editora Loyola, 1995
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